sábado, 19 de junho de 2021

Os Perigos da Prata Coloidal!


Recentemente uma nova cura milagrosa vem sendo difundida na Internet. Produtos contendo a Prata como base são vendidos de borrifadores em máscaras a tônicos. Esta matéria vem alertar para os perigos da Prata e que já são conhecidos há muito tempo.

É importante salientar que, no exemplo do corona vírus, diversas substâncias matam o destroem a capacidade do organismo de se dividir, porém, isto não quer dizer que ao ingeri-las, estes mesmo efeitos serão notados dentro do corpo humano. Diversos processos biológicos acontecem quando ingerimos alguma substância, enzimas são acionadas, a digestão interfere, captação do ativo. Uma infinidade de processos  que não garantem que alguma substância que matara um vírus ou bactéria num tubo de ensaio possa funcionar quando ingerida.

Prata coloidal é uma suspensão de partículas sub-microscópicas de prata metálica em uma base coloidal. O uso a longo prazo de preparações de prata pode causar argiria, um distúrbio no qual sais de prata se depositam na pele, olhos e órgãos internos, e a pele se torna cinzenta. Muitas casos de argiria ocorriam durante a era pré-antibiótica quando a prata era um ingrediente comum em soluções nasais. 

Quando a causa se tornou aparente, os médicos pararam de recomendar seu uso e fabricantes respeitáveis pararam de produzi-los. O guia oficial de drogas (United States Pharmacopeia and National Formulary) não lista produtos de prata coloidal desde 1975.

 


Anúncios dúbios nos últimos anos, produtos contendo prata têm sido comercializados com alegações infundadas de que eles são eficazes contra a AIDS, câncer, doenças infecciosas, parasitas, fadiga crônica, acne, verrugas, hemorroidas, próstata aumentada e muitas outras doenças e distúrbios.

A prata é um metal, que pode se acumular no organismo, envenenando a pessoa e alterando a tonalidade da pele permanentemente. Um boletim da OMS divulgado no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para os riscos à saúde causados pela "ingestão crônica da prata coloidal", com base em relatos de casos compilados na Austrália.

Entre eles, o caso de menino de cinco anos que ingeriu prata coloidal diariamente por vários meses e apresentou coloração acinzentada da pele e língua, e função hepática anormal. E o de um homem idoso, que ingeriu prata coloidal diariamente por seis meses, e necessitou de internação hospitalar por fadiga debilitante acompanhada de coloração azulada da pele, cardiomiopatia dilatada, amnésia e fala incoerente.

 Alguns comerciantes alegam que a prata coloidal é eficaz contra centena de doenças.

 Ao longo de 1998, uma companhia de multinível com sede na Flórida, declarou: "Nossa prata coloidal contêm 99,99% de partículas de prata pura suspensas indefinidamente em água desmineralizada que mata bactérias e vírus. Pode ser aplicada topicamente e/ou absorvida para corrente sanguínea por aplicações sub-linguais, desse modo evitando os efeitos negativos dos antibióticos tradicionais que matam bactérias boas no trato digestivo baixo. Uma alternativa ao antibiótico 100% natural na forma mais pura disponível. A presença de prata coloidal próxima a vírus, fungos, bactérias ou qualquer outro patógeno unicelular incapacita suas enzimas do metabolismo do oxigênio, seus pulmões químicos, por assim dizer. Os patógenos sufocam e morrem, e são eliminados do corpo pelos sistemas imunológico, linfático e de excreção. Diferente dos antibióticos farmacêuticos que destroem enzimas benéficas, a prata coloidal deixa estas enzimas benéficas intactas.

"Desse modo a prata coloidal é absolutamente segura para humanos, répteis, plantas e toda matéria viva pluricelular. É impossível para os germens unicelulares se alterarem em formas resistentes a prata, como acontece com os antibióticos convencionais. Também, a prata coloidal não consegue interagir ou interferir com outros medicamentos que estejam sendo tomados. Prata coloidal é verdadeiramente um remédio seguro, natural para muitas das doenças humanas. A prata coloidal pode ser usada indefinidamente porque o corpo não desenvolve uma tolerância contra ela."

 A Seasilver Intermational, uma companhia de multinível com sede na Califórnia, afirma que os americanos estão sofrendo de "deficiência de prata." Apesar da prata não ser um nutriente essencial, informações do produto publicadas no site da companhia declaram: 

Dois dos produtos estavam contaminados com micro-organismos. A quantidade de prata suspensa na solução variava de produto para produto e gradualmente diminuía com o tempo. Somente cinco produtos realmente mostraram atividade antibacteriana em um teste de laboratório. 

Para realizar o teste, ela preparou uma placa de cultura com bactérias Staphylococcus aureas, que podem causar infecções em humanos. Ela então colocou uma gota de cada produto sobre a placa e usou discos de dois antibióticos comuns como controle. Após oito horas de incubação, ela descobriu que o crescimento bacteriano tinha sido inibido ao redor dos antibióticos e quatro dos produtos.

 Obviamente o fato de que um produto iniba bactérias em uma cultura de laboratório não significa que ele é eficaz (ou seguro) no corpo humano. Na verdade, os produtos que matam bactérias no laboratório seriam mais prováveis de causar argiria porque eles contêm mais íons de prata que são livres para se depositarem na pele do usuário. Estudos laboratoriais do FDA descobriram que a quantidade de prata em algumas amostras do produto variou de 15,2% até 124% da quantidade listada nos rótulos do produto.

 A quantidade de prata exigida para produzir argiria é desconhecida. Entretanto, o FDA concluiu que o risco de se usar produtos a base de prata excede qualquer beneficio infundado.

 Em novembro de 2000, foi relatado um caso de um homem de 56 anos de idade que desenvolveu argiria enquanto estava usado um produto de prata coloidal. O homem, que vendia e usava prata coloidal por três anos, desenvolveu descoloração azul/cinza de suas unhas acompanhado por um nível bastante alto de prata no sangue .


Entre outubro de 1993 e setembro de 1994, o FDA publicou cartas de advertência para cinco comerciantes de prata coloidal: Higher Education Library Publications (H.E.L.P.), de Springfield, Utah, foi ordenado que parasse de alegar que seus produtos de prata coloidal eram eficazes como um antibiótico natural e podiam ser eficazes contra câncer, doenças geniturinárias, tuberculose e AIDS. Nutrition, Inc., de Arvada, Colorado, foi ordenado que parasse de declarar ou sugerir que seu Silvicidal, quando administrado oralmente ou intravenosamente, não era tóxico, aprovado pelo FDA, e que era um antibiótico de largo espectro que matava bactérias e todos os vírus e infecções micóticas.

 Além disso, foi falsamente alegado que o produto era eficaz contra uma longa lista de doenças específicas. Reseau Internatrional de Cincinnati, Ohio foi ordenado que parasse de alegar que seu produto de prata coloidal era "um antibiótico e anti-inflamatório natural e estimulante do sistema imune" e que era eficaz contra câncer, infecções por estafilococos, estreptococos e influenza, infecções gerais do corpo, inflamações, deterioração do sistema imune, toxicidade por fungos, amidalite, sintomas de Menier, coqueluche, herpes zoster, sífilis, cólera e malária. O rótulo também afirmava que a prata coloidal podia causar grande estimulação do crescimento de tecidos humanos e podia regenerar. Silverado Inc., de Bountiful, Utah, foi advertida para interromper suas falsas alegações que seus produtos de prata coloidal eram eficazes como um agente antibiótico, anti-inflamatório, anti-viral, e anti-micótico e que podia estimular o sistema imune. Unic, de Carmichael, Califórnia, foi ordenado a interromper suas alegações de que seus produtos de prata coloidal eram eficazes contra muitas doenças, e recuperar tecidos queimados sem deixar cicatrizes. Em outubro de 1996, o FDA propôs banir o uso da prata coloidal ou sais de prata nos produtos vendidos sem prescrição nos EUA . Uma decisão final banindo tais usos foi publicada em 17 de agosto de 1999 e se tornou efetiva em 16 de setembro. A decisão se aplica a qualquer prata coloidal ou sais de pratas sem prescrição que se alega serem eficazes na prevenção ou tratamento de qualquer doença.

 Produtos de prata ainda podem ser vendidos como "suplementos dietéticos" desde que nenhuma alegação de promoção de saúde sejam feita. Ao longo de 2000, o FDA publicou advertências para mais de 20 companhias cujos sites estavam fazendo alegações terapêuticas ilegais para prata coloidal. Em maio de 2000, a Corte Federal da Austrália baniu a Vital Earth Company Pty Limited e seu diretor Darryl John Jones de representar falsamente que a prata coloidal produzida por seu "Vital Silver 3000 Zapper", "Vital Silver 2000 Automatic" e "Vital Silver 2000": Podia matar todas as doenças causadas por bactérias, fungos e vírus no prazo de seis minutos de contato Não tinha nenhum efeito colateral; que a prata coloidal podia ser usada como um antibiótico para todas as doenças adquiridas da AIDS ativa. É eficaz com mais de 650 bactérias patogênicas diferentes e tipos de vírus Tem sido utilizada de maneira bem sucedida contra doenças incluindo AIDS, cólera, diabetes, lepra, leucemia, lúpus, câncer de pele, sífilis e coqueluche. A companhia também foi ordenada a pagar AUS$9000 em custas e para proporcionar restituição. 

Procurando na internet podes-se ter uma lista bem grande de empresas que usaram a prata coloidal como  remédio milagroso e foram processadas.

Fonte:Stephen Barrett, M.D.


Nenhum comentário:

Postar um comentário