domingo, 13 de junho de 2021

O que é DeepFake?


O deepfake é uma tecnologia que usa inteligência artificial (IA) para criar vídeos falsos, mas realistas, de pessoas fazendo coisas que elas nunca fizeram na vida real. A técnica que permite fazer as montagens de vídeo já gerou desde conteúdos pornográficos com celebridades até discursos fictícios de políticos influentes. 

O termo deepfake apareceu em dezembro de 2017, quando um usuário do Reddit com esse nome começou a postar vídeos de sexo falsos com famosas. Com softwares de deep learning, ele aplicava os rostos que queria a clipes já existentes. Os casos mais populares foram os das atrizes Gal Gadot e Emma Watson. A expressão deepfake logo passou a ser usada para indicar uma variedade de vídeos editados com machine learning e outras capacidades da IA.

Vìdeo Deepfake Homem de Ferro:



Efeitos especiais de computador que criam rostos e cenas no audiovisual não são nenhuma novidade; o cinema faz isso há muitos anos. A grande virada do chamado deepfake está na facilidade com que ele pode ser produzido com as tecnologias atuais. Comparado ao que costumava ser necessário, o método atual é simples e barato. Qualquer um com acesso a algoritmos e conhecimentos de deep learning, um bom processador gráfico e um amplo acervo de imagens pode criar um vídeo falso convincente.

Como os deepfakes são criados?

Em termos bem simplórios, são utilizados softwares baseados em bibliotecas de código aberto voltadas ao aprendizado de máquina. O programador fornece centenas e até milhares de fotos e vídeos das pessoas envolvidas, que são automaticamente processadas por uma rede neural. É como um treinamento, no qual o computador aprende como é determinado rosto, como ele se mexe, como ele reage a luz e sombras.





Esse “treino” é feito com o rosto do vídeo original e com o novo rosto, até que o programa seja capaz de encontrar um ponto comum entre as duas faces e “costurar” uma sobre a outra. O procedimento envolve uma espécie de truque, em que o software recebe uma imagem da pessoa A e a processa como se fosse a pessoa B.



Riscos e consequências:

Com ferramentas tão acessíveis e processadores gráficos potentes, fica mais fácil espalhar informações falsas de acordo com interesses próprios, fundamentadas por supostas provas em vídeo. Isso pode representar um perigo para a democracia e a sociedade, inclusive ameaçando a credibilidade de tudo o que é publicado.

No caso dos vídeos pornô fictícios, inclui-se ainda problemas éticos e legais complexos, de teor mais individual. As criações enganosas podem prejudicar a vida de uma pessoa, seja ela famosa ou anônima, e, por enquanto, não se sabe ao certo o que a Justiça pode fazer a respeito. Os vídeos divulgados não são reais; é a face de um inserida no corpo de outro. Porém, se as imagens conseguem se passar como verdadeiras e não há consentimento do indivíduo em questão, como lidar?

Usos benéficos da tecnologia:

Não há só pessimismo no mundo dos deepfakes. Existem exemplos de uso positivo dos algoritmos de machine learning que deram vida ao novo fenômeno. O princípio da tecnologia está no reconhecimento e na reconstrução facial, o que indica um enorme potencial. Na verdade, funções semelhantes já são empregadas em recursos presentes no dia a dia dos usuários da Internet.

Os animojis da Apple e os AR emojis da Samsung mapeiam a face de uma pessoa e reproduzem em tempo real suas expressões em bonecos virtuais. No Instagram Stories e no Snapchat, diversos filtros detectam e transformam os rostos dos usuários. Há inclusive um filtro de troca de rostos entre as pessoas de uma foto.

O grande utilizador sem dúvida é o cinema e toda a indústria audiovisual. Se beneficiam de um método mais simples de executar efeitos especiais com faces, especialmente no caso de produtores de conteúdo independentes com baixos orçamentos. Celebridades e influenciadores digitais poderiam vender suas imagens para anunciantes sem precisarem comparecer a filmagens.

Se utilizadas com qualidade suficiente para operarem em tempo real, estas tecnologias poderiam servir para oferecer terapia por videoconferência — útil a indivíduos que não se sentem confortáveis em mostrar o rosto. Ou para fazer entrevistas de emprego sem vieses de gênero ou raça.

Como podemos nos proteger?

A maior atenção está nos movimentos da boca, se eles correspondem bem ao que está sendo dito. Devenis ficar atentos a voz, entonação e sincronização do que é dito!

Verifique os olhos para notar se eles estão piscando. Na maioria das vezes, os algoritmos não reproduzem bem esse aspecto nem a respiração da pessoa. Veja ainda se ela se mexe de forma natural como um todo. As recriações podem ter dificuldade em encaixar todas as partes do rosto e do resto do corpo e duplicar certos movimentos orgânicos. E se a pessoa no vídeo em questão é alguém que você não conhece bem, procure outros clipes, de preferência em que haja certeza de veracidade, para comparar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário