sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Como acontece a cicatrização de uma ferida na pele?

Um machucado, corte o ato cirúrgico, independentemente da espécie, são lesões teciduais. Podem ser pela perda da integridade da pele e tecidos subcutâneos ou as perdas sanguíneas decorrentes da ruptura de vasos e do aumento da permeabilidade vascular no local do trauma ou ainda edemas e linfedemas, alterações endocrinometabólicas e hemodinâmicas, aumento do consumo de oxigênio, entre outras. 



Cicatrização e reparo tecidual:

A substituição do tecido lesado por outro tecido por processo de reparação é o que chamamos de Cicatrização. Esta reparação envolve a regeneração de células especializadas, a formação de tecido de granulação e a reconstrução do tecido. Esses eventos não acontecem isoladamente, e sim, sobrepondo e se completando.

A cicatriz é o tecido novo que se forma durante o processo de cura de uma ferida. A natureza a utiliza como um meio para fechar as lesões do organismo quando não é possível a regeneração perfeita dos tecidos.

O processo de cicatrização pode ocorrer de duas formas:

• Primária: acontece quando um ferimento não contaminado possui bordas lisas e próximas, sem perda tecidual, como ocorre em cortes cirúrgicos. Normalmente não há infecções, necrose cutânea, presença de hematomas ou seromas (o seroma ocorre quando há acúmulo de líquido embaixo da pele, geralmente perto da cicatriz da cirurgia. “É uma reação inflamatória causada pelo próprio sistema imunológico do paciente. O líquido fica represado entre as camadas de pele, levando aos sintomas.)

• Secundária: caracterizada por afastamento entre as bordas do ferimento e presença de uma lacuna tecidual preenchida por tecido de granulação (Tecido de granulação: Tecido fibroso que se forma durante o processo de cicatrização de uma ferida ou de uma lesão na pele, de aparência rosada e granular no local da lesão, é formado por brotos capilares que se organizam das mais variadas formas, por estroma, leucócitos e hemáceas; caracteriza-se por fazer parte das Etapas da cicatrização).. Ocorre em decorrência do tipo de ferimento ou por distúrbios na cicatrização. Normalmente, resultam em cicatrizes com estética desfavorável.

A cicatrização normal é um processo dirigido a um objetivo, que ocorre segundo leis próprias e leva ao fechamento da ferida por meio de sequências bioquímicas e histológicas, no menor prazo possível. Dependendo dos processos predominantes em cada caso, distinguem-se três etapas na cicatrização que ocorrem de forma sobreposta:

• Etapa inflamatória: dura entre 48 e 72 horas e é caracterizada pela presença dos sinais da inflamação: dor, calor, rubor e edema. O processo inflamatório combate os agentes agressores e deflagra uma série de acontecimentos que reconstituem o tecido lesado e possibilitam o retorno da função fisiológica ou a formação de tecido cicatricial para restituir o que não pôde ser reparado. No caso da cirurgia plástica, o agente agressor é o trauma mecânico causado pelo instrumental. A inflamação começa no exato momento da lesão.

• Etapa proliferativa: dura entre 12 e 14 dias e é caracterizada pela reconstituição de vasos sanguíneos e linfáticos, pela produção de colágeno e pela intensa migração celular, principalmente de queratinócitos, promovendo a reepitelização. A cicatriz possui aspecto avermelhado.

• Etapa de maturação (remodelação): tem duração indeterminada e é caracterizada pela reorganização do colágeno, que adquire maior força tênsil e empalidece. A cicatriz assume a coloração semelhante à da pele adjacente. O resultado final do tecido de granulação é uma cicatriz composta de fibroblastos de aspecto inativo e fusiforme, colágeno denso, fragmentos de tecido elástico, matriz extracelular e relativamente poucos vasos. A fase final da etapa de maturação representa a evolução da cicatriz constituída, podendo durar anos. Há diminuição do número de fibroblastos e de macrófagos e aumento do conteúdo de colágeno, cujas fibras progressivamente se alinham na direção de maior tensão da ferida. O conteúdo fibroso da cicatriz está relacionado à tensão que incide sobre as suas bordas.

Fatores que interferem na cicatrização:

Existem fatores locais (ligados diretamente à ferida) e sistêmicos (ligados ao indivíduo) que podem influenciar o processo cicatricial, ocasionando complicações e sequelas e causando prejuízos estéticos e funcionais à cicatriz.

Fatores locais:

• Dimensão e profundidade da lesão

• Grau de contaminação

• Presença coleções líquidas (hematomas, equimoses, edemas)

• Necrose tecidual e infecção local

• Suprimento vascular deficiente

• Técnica cirúrgica utilizada, material e técnica de sutura, tipos de curativos

• Tração ou pressão mecânica sobre a cicatriz


Fatores sistêmicos:

• Faixa etária

• Raça

• Estado nutricional

• Presença de doenças crônicas

• Uso de medicamentos


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