quarta-feira, 1 de abril de 2020

Tudo o que você precisa saber sobre o Coronavírus!

O que é um Coronavírus:

Os coronavírus, são vírus que possuem material genético de RNA. São conhecidos desde 1960 e possuem esse nome devido possuírem espiculas em suas estruturas, que lembra o formato de uma coroa. Podem causar desde um resfriado comum até síndromes respiratórias graves.

Várias epidemias de doenças causadas por coronavírus já foram registradas em humanos e animais, com gravidade variável e na maioria delas de caráter limitado geograficamente. Previamente a 2019, duas epidemias de maior gravidade relacionadas com os coronavírus foram observadas. A primeira delas ocorreu na China em 2002 e caracterizou-se por um graves infecções respiratórias causada pelo Severe Acute Respiratory Syndrome – Coronavirus, sendo nomeado de SARS-CoV8. O segundo pico epidêmico de Síndrome Respiratória Aguda e Severa causado por um coronavírus ocorreu no Oriente Médio em 2012 e o vírus foi denominado Middle East Respiratory Syndrome – Coronavirus (MERS-CoV)9. Como já foi apontado, a COVID-19, cujo epicentro é Wuhan (China), tem como agente etiológico o SARS-CoV-2.

Mercado de Wuhan
Mercado de Wuhan(China):

Segundo as informações do Centro de Controle e Prevenção (CDC) de Doenças da China, o SARS-CoV-2 é o resultado de recombinações virais que lhe deram a capacidade de quebrar a barreira biológica e escapar do ciclo animal-animal e infectar seres humanos caracterizando uma zoonose que, hipoteticamente, tem o morcego como o hospedeiro primário.
Acredita se que o consumo de animais silvestres in-natura na China, possibilitou a migração desta cepa de vírus para os organismos humanos. É de conhecimento geral que o país  possui uma cultura alimentar de ingerir diversos tipos de animais. Neste sentido, é valido ressaltar a origem cultural chinesa. Em 1970  o regime comunista chinês controlava minunciosamente a produção de alimentos para a população. Nesta mesma época, 900 milhões de pessoas viviam no país, e, portanto, alimentar todos esses indivíduos tornou-se uma tarefa quase impossível para o governo chinês - dados afirmam que cerca de 90 milhões de pessoas morreram de fome. Em 1978, a situação tornou-se ainda mais agravante, pois houve um colapso total da produção alimentar. Dessa forma, sem alternativas, o governo autorizou que grandes empresas assumissem a produção de alimentos em larga escala, o que ocasionou no domínio por parte desse setor empresarial do comércio de aves e suínos. Paralelamente a este cenário, o pequeno produtor não conseguia concorrer com essas empresas e foi aí que surgiu o comércio de animais selvagens. Em 1988, o governo percebe o aumento no consumo de animais selvagens e cria uma lei permitindo tal atividade, ocasionando no estouro desse tipo de comércio.

A Covid-19 (Coronavirus Disease-2019)

Tudo indica que esta nova espécie SARs-Cov 2, que foi identificada na China, mais precisamente na província de Wuhan, foi uma mutação de um coronavírus já existente em morcegos e, desta forma,  começou a infectar humanos. Pelo sequenciamento do genoma do vírus, descarta-se a possibilidade de que este organismo tenha sido feito em laboratório, afim de servirem como arma biológica e outras teorias conspiratórias de opositores do governo chinês.
Devido a globalização, o acesso a transportes aéreos e a grande circulação de pessoas pelo mundo - inclusive entre países - a doença se alastrou, gerando a cenário mundial catastrófico, denominado de pandemia. Hoje temos a transmissão comunitária, na qual o vírus está tão disseminado no meio que não é possível afirmar a origem da doença.
A infecção caracteriza-se por afetar o sistema respiratório podendo afetar os pulmões e causar uma pneumonia severa. 

Os dados estão sendo atualizados a cada momento, mas o que sabemos até o momento é que:
40 % das pessoas não terão sintomas ou sintomas muito leves, os assintomáticos; 
40 % terão sintomas moderados: febre, dor de garganta, coriza, dor de cabeça, dores no corpo. Semelhante a uma gripe forte; 
15 % terão sintomas graves: febre, dor de garganta, coriza, dor de cabeça, falta de ar,  pneumonia, sendo necessário algum suporte, como por exemplo, o uso de vaporizadores e/ou broncodilatadores; 
5 % terão a sintomas muito graves: Além dos mencionados, pneumonia aguda, Síndrome da deficiência respiratória, sendo necessário internação em UTI com ventilação forçada. 

Entretanto não há como saber quem terá um tipo de sintoma ou outro. Acredita se que os grupos de risco, idosos, pessoas com doenças pré-existentes(diabetes, cardiopatias, tuberculose, hipertensão) são as mais propensas a desenvolver a forma severa da doença e necessário, assim, internação em UTI. Entretanto, é uma grande loteria. Existem muitos pacientes jovens, que não apresentam comorbidades, que desenvolvem ou evoluem para a forma grave da doença e inclusive existe óbitos destes pacientes. As crianças são menos propensas e são portadores ou vetores do vírus - geralmente, manifestam sintomas muito leves e com isto transmitem o vírus para os demais e pior, podem transmitir o vírus para familiares idosos, como avós. 


Como é transmitido:

Um dos grandes problemas do coronavírus atual, ou da Covid-19, é alta capacidade de transmissibilidade. Uma pessoa pode passar em média para outras 2,5 pessoas, que por sua vez,  passam para outras e assim por diante. Além disto, pessoas assintomáticas ou com sintomas leves, podem e continuam a passar a doença para os demais. O período de incubação, que é bem longo, pode chegar a 14 dias. Estudos chineses detectaram incubações de até 29 dias em casos extremos. A falta de testes, demora e a não execução destes no sistema de saúde(pelo menos no Brasil), fazem com que muitas pessoas estejam por aí com a Covid-19, circulando e proliferando a doença.
Quando falamos, o contato da língua com o céu da boca, pode liberar gotículas microscópicas de saliva que viajam de uma pessoa para outra. Estas gotículas ou pedigotos, são geradas também por espirros, tosses e/ou outras manifestações mais graves. A etiqueta respiratória deve ser adotada sempre, ou seja, ao tossir ou espirrar, usar um lenço para conter as secreções ou o cotovelo como maneira de barreira.
gotículas contaminantes
Retomando, as gotículas contaminantes, entram em contato com a mucosa de outra pessoa(olhos, boca, nariz), ou fica depositada em superfícies, mãos, objetos, alimentos. Em contato com as mucosas, o vírus entra nas células e com seu RNA, em termos bem simplórios, ordena que a célula, ao invés de fabricar seus produtos usuais pra o corpo, comece a produzir outros vírus que infectam outras células. Assim começa o ciclo da infecção. A célula infectada sofrerá um colapso e o sistema Imunológico detecta esta irregularidade, mandando assim seus soldados, leucócitos, que tentarão combater as células infectadas e posteriormente o vírus. O grande problema é exatamente este. 
O coronavírus tem como peculiaridade gostar de células do aparelho respiratório superior e inferior.
A proliferação do coronavírus é muito intensa e uma vez dentro do pulmão, a destruição das células pelo Sistema Imune na tentativa de combater o vírus, causa danos a estas células, causando "machucados" dentro dos pulmões, dificultando a absorção do oxigênio pelo sangue ou, a troca gasosa(oxigênio/gás carbônico), e assim, uma grave insuficiência respiratória é instalada e pode evoluir para óbito. Nestes casos a pessoa deve ser internada com ventilação forçada para que tenha tempo e chances enquanto o corpo combate a infecção. Esta ventilação, fornece oxigênio a mais(até 100 % de oxigênio) para que este seja aproveitado pelo organismo. 
Então, uma pessoa infectada, no período de incubação ou com sintomas leves, pode ir a um supermercado, por exemplo, espirrar nas mãos, ou tossir em produtos, frutas, ou até mesmo no ato de tocá-los para sua escolha e deixar estas gotículas contagiantes, além, é claro,  no aproximar a outras pessoas e conversar ou até mesmo um respirar próximo. 



Como prevenir:

Como dito, estas gotículas infecciosas podem ficar em superfícies, tais como, no chão, no carrinho de supermercado, nos produtos, nas maçanetas, nas chaves, volante de carro, roupas, sapatos, por longo período de tempo. 
Portanto, sempre devemos lavar as mãos, de maneira correta, com água e sabão, de forma a eliminar o vírus das mãos evitando o contato com o rosto antes de sua devida assepsia.  A lavagem é de extrema importância, pois destrói a camada lipídica do vírus, tornando-o ineficaz. O álcool em gel, apesar de ser menos eficiente que a lavagem correta das mãos, é indicado na concentração de 70%, para a assepsia das mãos, quando não é possível a lavagem destas.
Álcool em gel, 70 %
O Álcool líquido a 70%, também pode ser utilizado. Concentrações maiores são eficazes, entretanto, a taxa de evaporação muito rápida faz com que a eficácia seja reduzida. 
Para os objetos, sapatos, chaves, entre outros, pode se utilizar o álcool a 70% ou uma solução de 1 parte para 9 de água sanitária com água. 
Chegando em casa, deve se, na medida do possível, deixar os sapatos de fora, limpar as maçanetas,  chaves, desinfetar as sacolas, produtos enlatados, frutas, verduras, produtos embalados, que por ventura possam ter sido adquiridos e lavagem das mãos. O ideal é depois de feito estes procedimentos,  seja feita a desinfecção dos sapatos com álcool a 70 % e deixa los ao sol. 
As roupas devem ser lavadas e é recomendado um banho o mais rápido possível. Para o banho, o ideal é sabonete que produza espuma e que não sejam neutros.

Máscaras são recomendadas para pessoas que possuem sintomas de resfriados ou para os profissionais de saúde. Não é recomendado para as pessoas saudáveis uma vez que efetuamos, a todo momento, ajustes das máscaras no rosto, e, desse modo, podemos contaminar estas com nossas mãos. Ademais, também é válido ressaltar que muitas pessoas não tem conhecimento da necessidade de substituir as máscaras a cada 2 horas.
O distanciamento das demais pessoas em locais públicos é a forma ideal para evitar que as gotículas viagem pelo ar e entrem nas mucosas. A distância recomendada é de 1,5m, mas especialistas dizem ser o ideal 2 m. Deve se evitar a todos custo aglomerações!


Tratamentos:

Até o momento, o tratamento para a Covid-19 é apenas no sentido de amenizar os sintomas ou agravamentos. Nos casos leves é recomendado o uso de remédios já conhecidos, como por exemplo, dipirona e paracetamol. Não há um consenso, mas devem ser evitados anti-inflamatórios e a aspirina ou produtos que contenham ácido acelil-salicílico.
Quem tem os sintomas leves, comparados à um resfriado, deve ficar em casa e monitorar seu quadro. Deve evitar o contato social e se possível ficar de quarentena por 14 dias. Para aqueles que receberam a confirmação da doença e apresentam sintomas leves, a quarentena é obrigatória e deverá ser feita em domicílio, de modo que fiquem isolados de outras pessoas e não ocorra o compartilhamento de objetos de quaisquer natureza.

Cientistas do mundo todos estão num esforço para desenvolver vacinas e tratamentos. Algumas drogas parecem ser promissoras mas ainda estão em fase de testes e estão sendo utilizadas nos casos mais severos e a nível hospitalar. Não é recomendado a automedicação, como foi o caso da Hidroxicloroquina, visto por alguns como droga milagrosa e amplamente divulgada na imprensa.  Esta droga pode causar sérios problemas à saúde e pior, pode faltar para as pessoas que realmente a utilizam, que é o caso de pessoas portadores de doenças autoimunes, como o lúpus.  
Existem estudos acerca da imunização passiva, na qual o plasma, parte líquida do sangue, contendo anticorpos de pessoas já recuperadas possam ser inseridos nos doentes, mediante testes de compatibilidade, a fim de que estes anticorpos possam neutralizar a doença. 
Na maioria dos casos, o sistema imunológico desenvolve os anticorpos que neutralizarão a doença ao longo da infecção. 

Por que do isolamento social:

A quarentena, lockdown, isolamento social, são importantes para evitar a disseminação da doença e impedir que muitos casos severos cheguem ao sistema de saúde, causando assim seu colapso. 
Estes casos necessitam de internação intensiva e o uso de respiradores, o que devido a limitação do equipamento, podem gerar uma falta de leitos e morte de muitas pessoas. Na Itália, por exemplo, há relatos de que, devido a esta falta de leitos, os médicos tenham que escolher entre mais jovens, com mais chances de se recuperarem, aos mais velhos, com poucas chances. 

Imunidade adquirida:

Nos recuperados, os anticorpos de longa duração, garantem, até o momento, a imunidade adquirida. Não há estudos sobre estas imunização, mas até o momento, parece que esta é persistente, ou seja, quem pegou o coronavírus e se recuperou, não adoece mais por esta doença.

Animais de Estimação:

Estudos comprovam que os animais de estimação não transmitem o vírus, entretanto, deve-se ter o cuidado  ao passear com os pets! Os animais cheiram coisa na rua, e podem, ocasionalmente, cheirar um fluido excretado por um doente. Desta forma, deve se higienizar patas, focinhos, e evitar atos de lambidas dos mesmos.
O passeio deve ser feito de forma rápida e evitando locais movimentados e aglomerações.
Gorbalenya AE; Baker SC; Baric RS, et al. Severe acute respiratory syndrome-related coronavirus: The species and its viruses – a statement of the Coronavirus Study Group of the International Committee on Taxonomy of Viruses. BioRevxiv preprint. Acessado em 18/02/2020, no https://doi.org/10.1101/2020.02.07.937862

World Health Organization (WHO). Novel Coronavirus(2019-nCoV). Situation Report – 10. January 30, 2020. Acessado em 2/2/2020, no https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/situation-reports/20200130-sitrep-10-ncov.pdf?sfvrsn=d0b2e480

Ministério da Saúde do Brasil (MS). Novo coronavírus: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção.  Acessado em 26/02/2020, no http://saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus

Nenhum comentário:

Postar um comentário