domingo, 7 de maio de 2017

Saiba mais sobre o satélite brasileiro SGDC !

No dia 4 de maio de 2017, por volta das 18:50, horário de brasília, o governo brasileiro em conjunto com o governo francês, lançou ao espaço na guiana francesa, o mais novo satélite artificial denominado Satélite Geoestacionário Brasileiro de Defesa e Comunicações Estratégicas.
Levado ao espaço por um foguete Ariane 5, foguete descartável muito utilizado para se colocar satélites artificiais em órbitas baixas, construído pela Airbus Defence and Space sob a supervisão da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Centre National d'Études Spatiales (CNES).
 Este tipo de foguete, pode transportar dois satélites a cada voo usando o transportador Sylda. Dependendo do tamanho, podem ser transportados até três satélites.
O satélite com quase 6 toneladas, custou aos cofres públicos R$2,8 bilhões.
Sendo um satélite geoestacionário, o mesmo orbitará na altitude de 36 mil km´s, cobrindo assim todo o território brasileiro. Sua função será de promover soberania para o país tem termos de serviços de telecomunicações civis e militares. Cerca de 30 % do satélite será de uso militar e os outros 70 % civil. Sua vida útil será prevista para 18 anos.
A vida útil existe porque mesmo o satélite estando no espaço, em órbita geoestacionária e sem resistência do ar, desvios precisam ser corrigidos de tempos em tempos devido a vários fenômenos orbitais e físicos. Assim, retrofoguetes são acionados vez ou outra para as correções da órbita o que nos leva ao fim de seu combustível e assim a vida útil. Geralmente este tempo está entre 12 e 18 anos.
A órbita geoestacionária, é aquela em que devido a altitude e velocidade, o satélite aparenta estar parado sobre uma determinada área.
Atualmente o governo aluga o sinal de satélites privados. O projeto do SGDC é resultado de uma parceria entre a Telebras e o Ministério da Defesa.
O satélite foi comprado da França, mas o acordo envolveu a transferência de tecnologia, com o envio de 50 profissionais brasileiros para as instalações onde foi construído.
Serão esses os profissionais responsáveis por operar o equipamento. Toda a operação será feita a partir do 6º Comando Aéreo Regional (VI Comar) da Aeronáutica, em Brasília, e da Estação de Rádio da Marinha, no Rio de Janeiro.
A empresas responsável pelo projeto é a Visiona, uma joint-venture entre Embraer e Telebras criada para estimular o setor espacial do país.
O satélite operará em banda X e banda ka. A banda X é de uso restrito militar e opera  numa faixa de frequência  entre   8 a 12 GHz.
Já a banda Ka, está compreendida entre as frequências de 27 e 40 GHz. O termo Ka refere-se à porção superior da banda K (K-above band). Também é chamada de banda 30/20 GHz em virtude de frequência de transmissão situar-se na frequência de 30 GHz e a de recepção na faixa de 20 GHz.
A banda ka, trabalhando em frequências muito elevadas, podem modular sinais mais complexos e com maior largura de faixa, isto faz com que velocidades muito grandes possam ser desenvolvidas na comunicação de dados. Em teoria, esta capacidade pode chegar aos 100 Gbps para uma única TP. Esta TP pode se ainda ser divida para uma infinidade de clientes através de técnica de multiplexação, abrangendo uma grande quantidade de usuários. Em termos simplórios, divide se o tempo de uso de uma frequência de uso para diversos clientes. A cada momento do tempo x, um usuário diferente faz o uso da banda, e assim um número y de usuários podem usufruir da mesma frequência, economizando se assim o espectro e barateando o acesso.
Existem variantes importantes a serem consideradas, como por exemplo a atenuação pela chuva devido as altas frequência utilizadas na banda ka, porém a tecnologia prevê adaptabilidade para as potência tanto de uplink com downlink o que diminuirá os impactos na perda do link, pelo menos em teoria.
Mas nem tudo são flores. Para se usar o recurso do novo satélite, empresas serão credenciadas para fornecer o serviço e caso não se tenha sucesso o governo estuda uma forma dele mesmo prover o acesso.
Além disto, uma antena com equipamento de rádio,  denominados BUK ou ODU(transmissor de sinais), LNB(receptor) e uma  IDU(modem radio router) devem ser utilizados para o trêfego de sinais. Há ainda o delay. O delay trata se do atraso de quase 1 segundo para que um dado seja recebido pela central transmissora e repetido pelo satélite.
Devido a distância, 36 mil Km´s, para que um dado, provindo do cliente, chegue até a central, seja ela qual for, deverá percorrer, 36 mil km´s até o satélite e mais 36000 km´s do satélite a central(Gateway). O retorno da informação seguirá o mesmo caminho, percorrendo mais 36 mil km´s até o satélite e mais 36 mil km´s até o cliente.
Na prática, observa se um delay prático de 700 milissegundos para um ping comum. Isto para um usuário significa que ao solicitar uma página ao Browser, ou responder uma mensagem em um chat, independente da sua velocidade de conexão, um atraso de quase um segundo será percebido antes que se tenha o retorno da solicitação.
A vantagem do uso deste tipo de tecnologia é o uso em qualquer área do território brasileiro, desde que haja uma visada para o céu. Áreas remotas, rurais e indígenas podem ser abrangidas democratizando o acesso a internet banda larga via satélite.

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ariane_5
            http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml
            www.inatel.br/biblioteca/artigos-cientificos/2012/6114-sistemas-de...banda-ka/file



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